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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

IASD desenvolve game para incentivar leitura da Bíblia


Um game para Facebook, como forma de atrair jovens à leitura da Bíblia. Essa é a nova ferramenta estratégica da Igreja Adventista do Sétimo Dia para seu ministério de jovens. O jogo, chamado “Reavivados por Sua Palavra” é um aplicativo desenvolvido exclusivamente para o Facebook, em que o jogador é apresentado a um capítulo da Bíblia por dia. Para conquistar pontos, é necessário responder a perguntas elaboradas a partir do conteúdo daquele capítulo. “Essa é uma primeira experiência que tem como objetivo motivar e engajar os jovens e adolescentes a lerem a Bíblia diariamente numa espécie de jogo”, informa o site Advir, ressaltando que a participação é interativa: “Quanto mais participa e compartilha, mais recompensas recebe. Também existem missões surpresa que, se realizadas ao longo do dia, geram medalhas e troféus. É possível ainda acompanhar a pontuação de outros amigos no jogo.”

A iniciativa foi baseada em estudos que afirmam que as pessoas dedicam, coletivamente, três bilhões de horas por semana para jogos computador, videogames ou aplicativos.

Os organizadores afirmam que, além do enriquecimento intelectual e espiritual, a proposta é transmitir um conceito de coletividade: “É importante que o jogador tenha a noção de que está fazendo parte de algo maior. Na medida em que ele lê, aprende mais sobre a Bíblia, desenvolve o hábito diário de leitura, gasta tempo com coisas espirituais e incentiva outros amigos a fazer o mesmo.”

Para conhecer o jogo e participar, acesse https://apps.facebook.com/gamereavivados/

Por Tiago Chagas, para o Gospel+
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Carne de porco pode transmitir hepatite E

O Instituto Oswaldo Cruz, da Fiocruz, conseguiu detectar pela primeira vez a presença do vírus da hepatite E em um paciente brasileiro. Até então, a confirmação da doença era feita pela testagem da presença de anticorpos específicos contra ela - de 1999 a 2009, foram 810 testes sorológicos positivos no país, segundo o governo. Além de dar mais segurança ao diagnóstico, a novidade permitiu comparar o sequenciamento genético do vírus encontrado no paciente com aquele encontrado em suínos criados no Brasil. A semelhança reforçou a suspeita de pesquisadores de que a transmissão no país esteja ligada ao consumo de carne de porco mal passada. Há pesquisas no mundo que detectaram a existência do HEV em animais, principalmente em suínos, mas ela destaca que a transmissão zoonótica por meio de contato direto com animais ou consumo de carne infectada ainda está sob investigação. “Um estudo realizado no Japão comparou a sequência nucleotídica do vírus encontrado em um paciente infectado com o HEV detectado em amostras de fígado de porco consumido pelo paciente. Observou-se que as sequências eram similares.”

(Folha.com e Fiocruz)

Nota de Michelson Borges: "Também o porco, porque tem unhas fendidas e o casco dividido, mas não rumina; este vos será imundo; da sua carne não comereis, nem tocareis no seu cadáver" (Levítico 11:7, 8). "Os que se santificam e se purificam para entrarem nos jardins após a deusa que está no meio, que comem carne de porco, coisas abomináveis e rato serão consumidos" (Isaías 66:17). Apesar disso, a indústria da carne dirá que ainda é seguro comer porco. Em quem confiar? Fico com Deus.
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quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

"Cuidado com os falsos profetas"


É impressionante como hoje em dia é fácil se auto-intitular de "pastor(a)", "bispo(a)", "apóstolo", etc. Por causa disso proliferam diariamente o número de novas igrejas, seitas, denominações, movimentos, etc. Na maioria, pregando uma "nova luz" ou uma interpretação "revelada" diretamente pelo Espírito Santo.

Esse é um grande problema com os "pentecostais". Por darem mais valor às chamadas "revelações", eles acabam deixando de lado princípios morais e teológicos ensinados nas Escrituras, mas que exigem uma certa obediência, que nossa mente pecaminosa não está disposta a seguir.

"Teoricamente os pentecostais defendem a autoridade das Escrituras, como os Reformadores. Na prática, porém, predomina um subjetivismo imposto pela noção de verdade relativa derivada da centralidade da experiência individual e da operação dos dons espirituais por meio das experiências místicas" - Vanderlei Dorneles, Cristãos em busca do êxtase* (UNASPRESS, 2006).

* Aconselho que todos os que desejam conhecer a fundo o moderno Movimento Pentecostal leiam este excelente livro do Pr. Dorneles.

O resultado de tudo isso?

Igrejas sem nenhum embasamento sólido na Bíblia, sendo lideradas por homens sem qualquer qualificação teológica ou moral para serem chamados de "pastores".

Há alguns meses, o FANTÁSTICO apresentou uma matéria sobre um tal "pastor" que se aproveitou de uma compreensão equivocada do livro de Oséias, para levar uma de suas "ovelhas" a cometer adultério com ele próprio.

Detalhe: Ela é casada (assim como o "pastor"), mãe de 4 filhos, e diz ter recebido uma revelação especial de Deus para ter um filho com o pastor (não seria isso uma "falsa profecia" ou falsa revelação?!). E o mais curioso é que o marido dela (também "ovelha" do tal "pastor") aceitou tudo, pois essa era a vontade de Deus (?!).

Em outra ocasião, outro "pastor" também foi alvo da Imprensa. Ele foi pego em flagrante fazendo sexo oral com 2 meninas de 10 e 11 anos de idade, em uma cidade próxima a Natal/RN. Ele, um senhor de 58 anos de idade, já havia cumprido 10 anos de detenção, e na época pastoreava uma igreja chamada de "Igreja Porta Aberta".

"O Meu povo perece porque lhes falta o conhecimento...".

Como esta frase bíblica ainda faz sentido hoje em dia!

De um modo geral, as "igrejas" cristãs modernas são muito deficientes em conhecimento da Palavra de Deus. Tudo é feito muito de improviso, baseando-se a experiência religiosa apenas no emocional e na palavra do "pastor" e dos "profetas".

Como Adventistas do 7º Dia, somos o POVO DA BÍBLIA (sim... ainda somos!), e por isso precisamos ficar alertas para que as armadilhas doutrinárias destes falsos profetas e pseudo-pastores da atualidade também não nos levem a desprezar a clara e confiável PALAVRA DE DEUS.

"... estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós" - 1Ped. 3:15.

A propósito, já fez sua assinatura da Lição da Escola Sabatina e da Revista Adventista para 2011? Já iniciou o plano do Ano Bíblico? Já se juntou a algum Pequeno Grupo?


Autor: Pr: Gilson Medeiros.
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terça-feira, 2 de novembro de 2010

Escritor evangélico brasileiro rejeita imortalidade da alma

Ed René Kivitz é um conhecido escritor evangélico. Além de teólogo com mestrado em Ciências da Religião (Universidade Metodista de São Paulo), ele é pastor da Igreja Batista de Água Branca, em São Paulo, capital. Em seus livros e palestras, ele enfatiza o que é chamado de “missão integral”. Segundo essa ideia, a salvação não é apenas algo relacionado à “alma” do ser humano, mas envolve a pessoa completa: dimensão social, física, psicológica e espiritual. O resultado disso é uma pregação mais abrangente e relevante do evangelho. Em uma de suas recentes palestras, intitulada “O evangelho todo para o homem todo”, ele explica: “O cristianismo não ensina a imortalidade da alma, ensina a ressurreição. O que não morreu, não pode ressuscitar. Quem acredita na ressurreição, necessariamente deve acreditar na realidade da morte.

“A ideia da imortalidade da alma não é cristã, é grega”, prossegue Kivitz. “É a crença no dualismo espírito-matéria que compreende o corpo como ‘prisão da alma’, como acreditava Platão. O corpo é o invólucro da pessoa, cuja essência é o espírito. Nessa compreensão, na morte, o espírito se desprenderia do corpo e poderia, então, caminhar rumo à sua plena realização. O espiritismo vai pegar essa ideia e dizer que a reencarnação do espírito é o caminho do aperfeiçoamento.

“Mas a Bíblia ensina diferente. A antropologia bíblica, entretanto, apresenta o ser humano como uma unidade corpo/espírito, que atende pelo nome de alma vivente. A alma não é um terceiro elemento, como café (corpo), leite (espírito) e canela (alma). A alma é o nome do conjunto corpo (café) e espírito (leite). A alma é o café com leite, misturados originalmente com intenções definitivas. ‘Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida, e o homem se tornou um ser vivente’ (Gênesis 2:7).

“A morte é a separação entre corpo e espírito e, justamente por isso, é a destruição da pessoa. A Bíblia não considera que ‘o espírito é a pessoa’, e que quando o corpo morre a pessoa continua viva, pois o espírito se desprende do corpo e atinge sua plenitude. A Bíblia não considera que exista pessoa sem corpo. Na verdade, uma ‘pessoa sem corpo’ é um defunto, está morta.

“A esperança cristã, portanto, não é a imortalidade da alma, mas a ressurreição. A ressurreição é a vitória total, a reintegração perfeita das facetas humanas que nunca deveriam ter sido separadas pela morte.

“A partir dessa concepção antropológica: o ser humano é uma unidade corpo-espírito, podemos concluir que não pode haver separação entre cuidar do corpo ou do espírito, pois cuidamos mesmo é da pessoa, que chamamos de ‘homem todo’. A ação que se destina apenas ao cuidado do espírito de um ser humano, na verdade é uma ação voltada ao não-homem, pois não existe ‘só o espírito’. [...]

“Parafraseando Ortega Y. Gasset, podemos dizer que Jesus é Salvador do ‘homem e suas circunstâncias’, que engloba a vida em suas dimensões física, psico-emocional, espiritual, social, econômica, política e outras.

“É por esta razão que o Novo Testamento chama de salvação tanto a cura do corpo quanto o perdão para os pecados (Mateus 9:1-8); tanto a ressurreição do corpo (João 11) quanto a superação do poder do dinheiro (Lucas 19:1-10); tanto a libertação do cativeiro dos espíritos diabólicos quanto a reintegração social (Marcos 5:1-20). [...]

“A missão da igreja, portanto, não consiste apenas do testemunho de uma mensagem verbal, convocando espíritos humanos a que recebam perdão para os pecados e se acomodem na esperança do céu pós morte. A missão da igreja consiste em levar o evangelho todo para o homem todo, convocando pessoas (unidade corpo-espírito) para que se integrem e participem do reino de Deus desde já, rendendo todas as áreas e dimensões da existência humana à autoridade de Jesus.”

(Ibab)

Nota de Matheus Cardoso: Mesmo não concordando com tudo que é dito por Ed René Kivitz em outros de seus textos, é impressionante ver o que ele pensa sobre a natureza humana e a morte. Enquanto quase todos os evangélicos e teólogos defendem a ideia da imortalidade da alma, ele se posiciona ao lado do ensino bíblico também esposado pelos adventistas.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Ideias para o tuitaço #vidaeterna

No dia 2 de novembro (Dia de Finados), milhões de pessoas costumam ir aos cemitérios prestar homenagem a seus parentes falecidos. Nesse dia, a dor da saudade aperta mais forte no coração ao lembrar aqueles que se foram.

Infelizmente, muitos desconhecem o conforto que vem do ensino bíblico de que os mortos em Cristo estão “dormindo” na sepultura, descansando inconscientes do que se passa neste mundo de sofrimento.
A próxima cena que contemplarão após a morte será a volta de Jesus e a voz do Salvador os chamando de volta à vida – só que, desta vez, à vida eterna. A fim de levar conforto a muitas pessoas por meio da web, que tal tuitar mensagens de esperança e consolo? A partir das 18 horas de hoje, una-se aos milhares de cristãos que vão participar do tuitaço com a tag #vidaeterna. Se desejar, aproveite as sugestões de tweets abaixo, que já estão com a tag e links encurtados. Basta copiá-los, colá-los em seu twitter e enviá-los. Participe e ore pelos resultados.[Michelson Borges].

Vídeo “O que é a morte” http://bit.ly/bAuWTt >> #vidaeterna #video #biblia

Estudo bíblico “O que é a morte” http://bit.ly/9qLqdX >> #vidaeterna #biblia #morte

Estudos bíblicos na voz de Cid Moreira http://bit.ly/a8lvNG >> #vidaeterna #biblia

“Fantástico” e a pregação espírita http://bit.ly/b9gvKV >> #vidaeterna #espiritismo

Nosso verdadeiro lar http://bit.ly/c7VgRo >> #vidaeterna #espiritismo #filmes

Sucesso do “além” e o espiritismo em alta http://bit.ly/9OchYL >> #vidaeterna #espiritismo

A Bíblia e o espiritismo http://bit.ly/13yVZY >> #vidaeterna #biblia #espiritismo

Cientistas explicam "visões antes da morte" http://bit.ly/aeWxk8 >> #vidaeterna #morte

O Jardineiro e os três jardins http://bit.ly/bDFw93 >> #vidaeterna

Bispo católico admite unicidade humana http://bit.ly/adSogK >> #vidaeterna

Avatar e a saudade do Céu http://bit.ly/5Qxlin >> #vidaeterna

2012: a ilusão da solução sem Deus http://bit.ly/4nTBdI >> #vidaeterna #2012

Além da morte http://bit.ly/QHyt6 >> #vidaeterna

Michael Jackson e a efemeridade da vida http://bit.ly/1HA5AJ >> #vidaeterna

Maurício de Souza leva Jackson para o "Céu" http://bit.ly/14Kety >> #vidaeterna

Textos devocionais do #blog www.criacionismo.com.br http://bit.ly/9vC07q >> #vidaeterna #reflexoes

Lugar de esperança http://bit.ly/aHJ6Gs >> #vidaeterna

O pai terá orgulho dele http://bit.ly/aYAroO >> #vidaeterna
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quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Romanos 2:13 e a justificação pela fé

Se há algo que o diabo gosta é dos extremos. Ele aprecia ver as pessoas defendendo a salvação pelas obras e ri daqueles que acham que a salvação pela graça "liberta" da obediência (isso não é liberdade, mas "libertinagem"). Os legalistas usam Romanos 2:13 para anular o próprio pensamento de Paulo de que a justificação (ser tornado justo) é somente pela fé: "Porque os simples ouvidores da lei não são justos diante de Deus, mas os que praticam a lei hão de ser justificados."

Entretanto, a justificação (o ser tornado justo, o ser perdoado) não é pela lei. Escreveu Paulo em Romanos 3:28: "Concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé, independentemente das obras da lei."

Já os permissivistas, aos se depararem com Romanos 2:13, pulam fora e citam outros textos de Romanos (3:21, 24) e a carta aos Gálatas para justificar seu desrespeito para com os Dez Mandamentos, especialmente para com o quarto mandamento, que ordena a observância do sábado como dia de guarda (Êxodo 20:8-11).

Nenhum dos dois grupos de pessoas agrada a Deus. Apenas ao diabo.

O que Romanos 2:13 ensina é que "homens são julgados não pelo que pretendem conhecer ou professam ser, senão pelo que realmente fazem" (2: 6). (Comentário Bíblico Adventista do Sétimo dia sobre Romanos 2:13). Portanto, o apóstolo está destacando que, mesmo sendo salvo pela graça, o ser humano no dia do juízo será avaliado por suas obras, pela lei que tinha à sua disposição (o Decálogo ou a Lei Moral escrita em seu coração - ler Romanos 2:14-16).

Afinal, por que juízo se não existe uma Lei para avaliar a conduta de quem realmente aceitou o plano de salvação? (Eclesiastes 12:13, 14; 2 Coríntios 5:10; Romanos 14:12).

Paulo não está defendendo a salvação pelas obras em Romanos 2:13 e muito menos a perigosa ideia de que o salvo pela graça não precisa obedecer (João 14:15; 15:10). Em seus escritos o apóstolo dos gentios sempre se preocupou em colocar a lei no seu devido lugar: não como meio de salvação (Efésios 2:8, 9), mas como resultado de um coração transformado (Efésios 2:10) pela graça de Jesus.

O equilíbrio está em você não crer que é salvo pelas obras ou não acreditar que se encontra livre para pecar.

Para os dois grupos de pessoas que pisam no terreno perigoso (num extremo ou noutro) o apóstolo deixa algumas informações: "Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo" (Romanos 5:1 - mensagem aos legalistas). "Anulamos, pois, a lei pela fé? Não, de maneira nenhuma! Antes, confirmamos a lei" (Romanos 3:31 - mensagem aos permissivistas).

Leandro Quadros


SOBRE O AUTOR
LEANDRO QUADROS
É formado pela Universidade do Vale do Paraíba (Univap) e atua como jornalista na Rede Novo Tempo de Comunicação de TV e Rádio, que pertence à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Além de apresentador de programa de rádio, é repórter e redator. Pós-graduando em Jornalismo Científico, mantém o site www.namiradaverdade.com.br
Contato: leandro.quadros@novotempo.org.br
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terça-feira, 26 de outubro de 2010

Como entender a Bíblia


Não sou teólogo nem sei falar hebraico ou grego. Como posso entender a Bíblia corretamente?

Sabemos que ler a Bíblia é importante para nossa comunhão com Deus. Muitas pessoas acreditam, entretanto, que apenas um pastor ou doutor em Teologia pode interpretar a Bíblia de maneira correta. Mas é interessante que os escritores da Bíblia pensavam o contrário: eles esperavam que todos a lessem e compreendessem, mesmo aqueles que não eram cultos (Dt 30:11-4; Jo 20:30, 31; At 7:11; Ap 1:3). Sugerimos alguns passos simples e úteis para a compreensão da Bíblia, que podem ser utilizados por qualquer pessoa:

1. Estude a Bíblia com oração e humildade – Nosso coração é, por natureza, enganoso (Jr 17:9). Por natureza não temos disposição de ser ensinados. É natural para o ser humano ler a Bíblia de tal maneira a evitar algo que não deseja aprender. Não importa quanto você saiba sobre o idioma grego ou quantos doutorados você possui, se não tiver um coração disposto a aprender, seu estudo não terá qualquer valor.

Conhecer a Deus, de acordo com a Bíblia, é mais que uma atividade intelectual ou estudo acadêmico (Jo 7:17; 1Co 2:14; 2Ts 2:10; Tg 1:5). O conhecimento de Deus vem de uma disposição de aprender a verdade que vem de Deus não importando o que custar (2Ts 2:10). Conhecer a Deus pode custar sua vida, família, amigos e reputação. Mas, se você estiver disposto a encontrar a verdade não importando quais desafios tiver que enfrentar, você a alcançará.

O estudo da Bíblia deve começar com aquilo que pode ser chamado de “oração autêntica”. Essa oração pode ser feita assim: “Senhor, eu desejo a verdade não importa o que ela me custar, pessoalmente.” Essa é uma oração difícil de ser feita, mas, se você orar dessa maneira, conhecerá a verdade de Deus. Jesus prometeu que o Espírito Santo nos guiará ao buscarmos conhecer a vontade de Deus (Jo 16:13, 14). Jesus está ansioso para cumprir Sua promessa.

2. Compare várias traduções da Bíblia – Se você não tem acesso à Bíblia em hebraico e grego, pode consultar várias traduções bíblicas ao estudar algum texto. Boas traduções em português são a Almeida Revista e Atualizada, a Bíblia de Jerusalém e a Nova Versão Internacional. As duas primeiras utilizam linguagem mais culta, e a última, linguagem mais acessível.

Cada tradução tem suas limitações e, em alguma medida, reflete os conceitos e preconceitos dos tradutores. Essas limitações podem ser minimizadas ao se comparar várias traduções. Cada tradução apresenta um aspecto do significado do texto. Portanto, quando comparamos várias traduções, temos uma compreensão melhor.

Suponhamos que você está comparando, por exemplo, cinco traduções bíblicas. Se quatro ou cinco traduzem um texto bíblico de forma semelhante, é mais provável que o texto original seja claro e, portanto, essa é a forma correta de ser traduzido. Por outro lado, se cada tradução apresenta um sentido diferente, provavelmente o texto original é difícil ou ambíguo.

Quando várias traduções são semelhantes e, portanto, o texto é claro, podemos nos basear com segurança na tradução daquele texto. Quando as traduções indicam que o texto que estamos estudando é ambíguo e difícil de ser traduzido, não é seguro basearmos alguma doutrina ou prática naquele texto específico.

3. Dedique a maior parte de seu tempo aos textos claros da Bíblia – Se você realmente deseja que a Bíblia fale por si mesma, passe a maior parte do estudo nos textos bíblicos mais claros. Existem muitas partes da Bíblia sobre as quais há pouco acordo entre os cristãos e mesmo para especialistas em hebraico e grego. Portanto, um passo extremamente importante no estudo da Bíblia é dedicar a maior parte de seu tempo nas seções que são razoavelmente claras. Os textos claros da Bíblia o ajudarão a ter uma boa compreensão sobre os assuntos centrais da mensagem bíblica, impedindo-o de utilizar de maneira errada os textos que são mais ambíguos.

Por outro lado, se você passar a maior parte de seu estudo em textos como as trombetas do Apocalipse ou Daniel 11, você corre o risco de se tornar espiritualmente desequilibrado. Pessoas que interpretam a Bíblia de maneira errada geralmente se concentram em textos difíceis, desenvolvem soluções criativas para as dificuldades que encontram e se baseiam em textos obscuros para criar uma teologia inteira. Esses leitores acabam distorcendo as passagens claras da Bíblia porque elas vão contra as falsas doutrinas criadas por eles.

4. Procure ler capítulos inteiros em vez de versículos isolados – Muitas pessoas costumam estudar a Bíblia de maneira fragmentada. Leem um versículo e então o comparam com dezenas de versículos que acham que tratam do mesmo assunto. Essas pessoas já criaram uma teoria e simplesmente procuram textos bíblicos que apoiam a ideia. Qual o problema com isso? A pessoa não permite que a Bíblia fale por si mesma, mas impõe suas ideias sobre os textos bíblicos. Muitos acham que existe virtude em citar grande número de versículos bíblicos, mas acabam cometendo o erro de distorcer a Bíblia.

Muitas pessoas, em vez de ler o texto bíblico em si mesmo, costumam estudar uma concordância bíblica, que é um livro que mostra todas as vezes em que determinada palavra aparece na Bíblia. Sem os passos corretos para entender a Bíblia, ler uma concordância tende a levar a pessoa a ler os versículos isolados do contexto. É como pegar uma tesoura e recortar 50 textos da Bíblia, jogar em uma bacia, fazer uma “salada de frutas”, oferecer a alguém e dizer: “Esta é a mensagem do Senhor.”

Por outro lado, quando você lê um livro bíblico do começo ao fim, o autor bíblico está no controle da sequência e desenrolar do texto. Esse é o tão importante contexto. O autor conduz você de uma ideia a outra, e o estudo não é controlado pelos interesses ou ideias que você possui. Ler os textos bíblicos de maneira completa permite que o leitor entenda as intenções dos escritores bíblicos e ajuda a ver o “quadro completo”, que é maior garantia contra interpretações bizarras de partes isoladas.

Ler textos completos estimula uma disposição de aprender e ajuda a ver o texto como ele deve ser entendido. Não somos nós que devemos ensinar algo à Bíblia; é ela que deve nos ensinar. É importante comparar textos bíblicos que tratam do mesmo assunto, mas antes disso precisamos ler e reler um texto bíblico completo. Muitas vezes, o leitor encontra um versículo difícil e não entende o que significa.

Na maioria das situações, tudo que precisamos fazer para entender um texto difícil da Bíblia é ler seu contexto – os versículos que vêm antes e os que vêm depois. Quando encontrar um versículo difícil, leia todo o capítulo em que ele está. Depois, procure se familiarizar com a mensagem do livro inteiro. Mas nunca leia um versículo sem considerar o contexto.

Quando buscarmos a Deus de todo o coração, poderemos dizer: “Lâmpada para os meus pés é a Tua Palavra e, luz para os meus caminhos” (Sl 119:105).

(Matheus Cardoso é editor associado da revista Conexão JA e editor assistente de livros na Casa Publicadora Brasileira)

Fonte: Jon Paulien, The Deep Things of God: An Insider's Guide to the Book of Revelation (Hagerstown, MD: Review and Herald, 2004), p. 79-92.
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terça-feira, 19 de outubro de 2010

Você tem dúvidas sobre a Doutrina Adventista?

A Imprensa Universitária Adventista - UNASPRESS -, vinculada ao UNASP, tem produzido excelentes obras para o enriquecimento do saber teológico, profético, cultural, litúrgico, doutrinário, etc., dos Adventistas da Divisão Sul-Americana.

São livros que abordam temas extremamente importantes e atuais, e que são produzidos a um custo muito acessível, pois o objetivo principal é compartilhar conhecimento:
- Trindade
- Eventos Finais/Escatologia
- Dízimos e Ofertas
- Santuário
- História da IASD
- Justificação pela Fé
- Perfeccionismo
- e muito, muito mais.

No site da UNASPRESS, é possível encontrar algumas publicações recentes, e outras que já estão disponíveis a mais tempo.
Se não puder adquirir todos de uma vez, faça planos para adquiri-los aos poucos, mas não deixe de ter este acervo em sua biblioteca. Você só tem a ganhar!


Alguns exemplos:

Cristãos e Busca do Êxtase
Excelente obra de pesquisa do Prof. Dorneles sobre as manifestações emocionais e extasiantes, presentes nos cultos pentecostais. Ele aborda, em especial, o tema da música barulhenta e da manifestação de línguas "estranhas" (glossolalia) durante estes cultos.


Estudos Selecionados em Interpretação Profética
Eu já tinha este material em espanhol, e fiquei impressionado com a qualidade apresentanda pelo excelente trabalho do Dr. Shea, um dos maiores teólogos da escatologia Adventista de todos os tempos.
Neste livro nós encontramos explicações claras e profundas sobre diversos temas relacionadas às profecias do livro de Daniel.
Este primeiro volume da série é indispensável para os que gostam de estudar sobre profecias, e que têm dificildade para encontrar bons livros de escatologia em português.



A UNASPRESS também publica semestralmente a Revista PAROUSIA, que sempre aborda temas importantíssimos da atualidade teológica e doutrinária da Igreja Adventista.
Já foram tratados, entre outros, assuntos relacionados à Trindade, aos Dízimos e Ofertas, às últimas Profecias de Daniel e Apocalipse, etc.
Uma edição passada trouxe uma excelente coletânea de artigos sobre a NATUREZA DE CRISTO, que esclarecem de forma completa e biblicamente embasada as mais diversas dúvidas levantadas sobre a Cristologia.
Se você tem dúvidas sobre como se deu a manifestação das duas naturezas de Cristo (a divina e a humana), e quer buscar as respostas em fonte segura, então não deixe de adquirir seu exemplar da Revista PAROUSIA.

Informações:
UNASPRESS
Fone: (11) 3858-9055
E-mail: unaspress@unasp.edu.br

Depois não diga que não sabia! rsrs

PS.: A propósito, já fez sua assinatura da Lição e da Revista Adventista para o ano que vem?
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Por que os apóstolos batizavam em nome de Jesus?


Se Jesus disse que o batismo deveria ser realizado “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28:19), por que os apóstolos batizavam em nome de Jesus (At 2:38; 8:16; 10:48; 19:5)?

Antes de estudar o que o Novo Testamento ensina sobre o batismo, precisamos entender o que significava um “nome” para os primeiros cristãos. Para nós, essa é apenas uma palavra que permite identificar alguém ou alguma coisa. Mas, na Bíblia, “nome” tem um significado muito mais profundo e belo. Ele representa todas as qualidades de alguém, seu verdadeiro caráter, tudo aquilo que a pessoa realmente é (ver Gn 11:3; 27:36; Êx 5:23; Nm 1:2; 26:53; 1Sm 17:45; 18:30; 2Sm 8:13; 1Rs 21:8; Is 56:5; Mc 6:14; Lc 6:22; At 1:15; Fp 2:9; Ap 3:1, 4).[1]

O que significa “em nome de Jesus”? – Muitas vezes o Novo Testamento fala sobre o “nome de Jesus”. À luz do que vimos acima, o “nome de Jesus” representa Suas qualidades e caráter. Por exemplo, crer no nome de Jesus é confiar no próprio Jesus (At 4:12; 1 Co 6:11). Ser curado por meio do nome de Jesus é ser curado pelo poder que existe nEle (At 4:7; 16:18). Portanto, ser batizado em nome de Jesus significa entregar-se completamente a Ele e ter um relacionamento com Ele (At 8:16; 19:15; 1 Co 1:13).[2]

A Bíblia de Jerusalém, erroneamente citada por alguns contra a autenticidade de Mateus 28:19, esclarece o que significa ser batizado “em nome de Jesus”: “O batismo é dado ‘em nome de Jesus Cristo’ (cf. [At] 1,5+) e é recebido ‘invocando-se o nome do Senhor Jesus’ (cf. [At] 2,21+; 3,16+; 8,16; 10:48; 19,5; 22,16; 1Cor 1,13.15; 6,11; 10,2; Gl 3,27; Rm 6,3, cf. Tg 2,7). Essa maneira de falar talvez não vise tanto à fórmula ritual do batismo (cf. Mt 28,19), quanto ao significado do próprio rito: profissão de fé em Cristo, tomada de posse, por Cristo, daqueles que doravante Lhe são consagrados.”[3] Ou seja, “nome de Jesus” não era necessariamente uma expressão exata pronunciada por alguém. Essas palavras significam que a condição para ser batizado era aceitar a Jesus como Salvador.

Quantas “fórmulas batismais” existiam? – A Bíblia apresenta três expressões relacionadas ao batismo: (1) “em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:19); (2) “em nome de Jesus Cristo” (At 2:38; 10:48); e (3) “em nome do Senhor Jesus” (At 8:16; 19:5). Como o livro de Atos apresenta uma fórmula batismal fixa e precisa, que sempre deveria ser utilizada, se esse livro menciona duas expressões diferentes? A explicação mais natural é que, “dadas as variações na linguagem do Novo Testamento, claramente não havia uma fórmula batismal definida” nos primórdios do cristianismo.[4] Negar isso é tentar negar o óbvio.

Os apóstolos eram infalíveis?[5] – Algumas pessoas parecem crer que o livro de Atos é um infalível “manual da Igreja”, ou seja, tudo que os primeiros cristãos fizeram era correto e deve ser imitado por nós. Mas é necessário lembrar que a revelação da verdade é progressiva (Mc 4:33; Jo 16:12, 13; 1Co 3:2) e que a própria compreensão da revelação é progressiva (Mc 9:32; Lc 2:50; 9:45; 18:34; Jo 12:16). Em outras palavras, Deus não revelou toda a verdade em um momento. Mas, mesmo as verdades já reveladas e explicadas demoravam certo tempo para ser entendidas e obedecidas pelo povo de Deus.

Vários exemplos do Novo Testamento ilustram essa verdade. Antes de subir ao Céu, Jesus disse que o evangelho deveria ser pregado a “todas as nações” (Mt 28:19). Apesar da clareza dessa ordem, o livro de Atos mostra que os cristãos demoraram muito tempo para compreendê-la. As palavras do próprio Jesus também poderiam sugerir que, logo após a descida do Espírito Santo, o “reino” seria restaurado “a Israel” e viria o fim (At 1:6-8, 11).

No dia de Pentecostes, da perspectiva daqueles crentes, o evangelho foi pregado às pessoas “de todas as nações debaixo do céu” (At 2:5). Como, para eles, o fim estava perto, venderam todos os seus bens – as posses materiais eram totalmente irrelevantes e os cristãos possuíam um fundo comum para suas posses (At 2:44; 4:32). Essa atitude precipitada levou a igreja na Judeia a severas dificuldades financeiras (Rm 15:25-28; 1Co 16:1-4; 2Co 8-9).

Outro exemplo é a discussão sobre quais grupos de pessoas constituíam a igreja. Vários anos depois da morte de Cristo, os cristãos ainda criam que apenas os judeus eram o povo de Deus. Os próprios líderes em Jerusalém pensavam que apenas os judeus poderiam ser salvos (At 11-12), e muito tempo passou antes que oportunidade de salvação fosse entendida aos não judeus (At 14:27). Mesmo depois os cristãos pensavam que uma pessoa deveria praticar todos os rituais judaicos para seguir a Cristo (At 15; Gl 2).

O próprio Paulo, que falou sobre Israel e a Igreja (Rm 9-11; Gl 2, 3), se submeteu às práticas do voto de nazireado (At 18:18), circuncidou a Timóteo (Gl 2:3) e praticou sacrifícios e rituais de purificação (At 21:17-26). É verdade que Paulo agia “como judeu, a fim de ganhar os judeus” (1Co 9:20); no entanto, Paulo praticou esses rituais não por simpatia aos judeus não cristãos, mas devido aos líderes cristãos em Jerusalém. No fim da vida de Paulo, nem todos os cristãos judeus compreendiam ainda que a morte de Cristo havia dado término à lei cerimonial.

Alguém poderia indagar: Então os primeiros cristãos eram ímpios e rebeldes contra a vontade de Deus? Não, pois eles viviam à altura da compreensão que possuíam, e isso era o mais importante para Deus. Os primeiros cristãos entendiam a mensagem básica do cristianismo: que Cristo havia morrido, ressuscitado e triunfado sobre o mal; e essa era a mensagem que anunciavam desde o início (At 2:32-36; 13:33-34).

Em que devemos basear doutrinas e práticas? – Um estudo mais aprofundado da Bíblia mostra que existe clara distinção entre textos descritivos e textos prescritivos. Textos descritivos mencionam as práticas das pessoas. Mesmo o povo de Deus pode cometer atitudes que não estão de acordo com o ideal, mas que são toleradas por Deus. Esse conceito é verdadeiro sobre o povo de Deus no Antigo Testamento (por exemplo: poligamia, guerra, divórcio, etc.) e também no Novo (ver acima).

O povo de Deus não está imune aos erros, como é visto na experiência individual de todos nós. As doutrinas e estilo de vida dos cristãos devem estar baseados nos textos prescritivos da Bíblia, ou seja, naqueles que contêm um mandamento ou prescrição, um claro “assim diz o Senhor”.

Por que, então, os cristãos em geral não utilizam as palavras “em nome de Jesus”, mas “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo”? Como em outros casos relacionados à prática cristã, essa não é uma escolha entre certo e errado, mas entre bom e melhor. A prática dos apóstolos era boa, mas a ordem de Jesus é melhor.

A doutrina cristã deve ser baseada nos textos prescritivos da Bíblia. Todo genuíno cristão concordará que a expressa ordem de Cristo é muito melhor que as práticas de um ser humano imperfeito (ainda que esse ser humano seja apóstolo ou profeta). Como hoje compreendemos as instruções de Jesus em Mateus 28:18-20, esse texto deveria ser suficiente para encerrar toda discussão sobre o assunto.

Conclusão – Um estudo do Novo Testamento mostra que (1) ser batizado em “nome de Jesus” significava aceitá-Lo como Salvador e Senhor, e não necessariamente usar essas palavras durante o batismo; (2) Mateus 28:19 e o livro de Atos mencionam três expressões diferentes relacionadas ao batismo, o que mostra que os primeiros cristãos provavelmente não possuíam uma fórmula definida e precisa; (3) os apóstolos não eram infalíveis, porque cometeram vários equívocos doutrinários e de comportamento; e (4) devemos basear nossa doutrina em instruções explícitas da Bíblia, e não no que seus personagens fizeram ou deixaram de fazer.[6]

(Matheus Cardoso é editor associado da revista Conexão JA e editor assistente de livros na Casa Publicadora Brasileira)

Referências:

[1] G. F. Hawthorne, “Name”, em International Standard Bible Encyclopedia, ed. Geoffrey W. Bromiley (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1979), v. 3, p. 480-482.
[2] H. Bietenhard, “Nome”, em Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento, ed. Lothar Coenen e Colin Brown (São Paulo: Vida Nova, 2000), v. 2, p. 1.400.
[3] Bíblia de Jerusalém (São Paulo: Paulus, 2002), p. 1.904 (nota sobre At 2:38) (ênfase acrescida).
[4] John Nolland, The Gospel of Matthew: A Commentary on the Greek Text, The New International Greek Testament Commentary, ed. I. Howard Marshall e Donald A. Hagner (Grand Rapids. MI: Eerdmans, 2005), p. 1.268.
[5] O restante deste artigo é baseado em uma aula de Wilson Paroschi, Ph.D., professor de Novo Testamento no Unasp, campus Engenheiro Coelho.
[6] Para estudo adicional, veja Ángel Manuel Rodríguez, “The right words”; e Alberto R. Timm, “Em Nome da Trindade”.

Fonte: blog/ criacionista
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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Deus Se revela


Deus é infinito e uma das maiores dificuldades para os seres humanos caídos é compreender a revelação desse Deus. Por isso Ele falou e fala de “muitas maneiras” (Hb 1:1). Vejamos algumas delas:

Revelação natural – “Porque os atributos invisíveis de Deus, assim o Seu eterno poder, como também a Sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas. Tais homens [incrédulos] são, por isso, indesculpáveis” (Rm 1:20).

Em 9 de outubro de 2009, a matéria de capa da revista Science destacou a incrível arquitetura do genoma e a capacidade que o DNA tem de armazenar quantidade formidável de informação que supera em muito os maiores computadores conhecidos. “Nós sabemos há muito tempo que o DNA, em pequena escala, tem o formato de espiral dupla”, disse o pesquisador Erez Lieberman-Aiden. “Mas se a espiral dupla não se dobrasse, o genoma de cada célula teria dois metros de comprimento. Os cientistas de fato não entendiam como a espiral dupla se dobra para caber no núcleo de uma célula humana, que tem cerca de um centésimo de milímetro de diâmetro.”

O genoma adota organização muito incomum, conhecida como fractal. A arquitetura específica que os cientistas encontraram, chamada “glóbulo fractal”, permite que a célula empacote o DNA em um formato incrivelmente denso – a densidade de informações alcançada é trilhões de vezes mais alta do que a encontrada em uma memória de computador! E isso sem permitir que o genoma se embarace ou dê nós, o que inviabilizaria o acesso da célula ao seu próprio genoma. Além disso, o DNA pode facilmente ser desdobrado e novamente dobrado durante os processos de ativação genética, repressão genética e replicação celular.

No livro Signature in the Cell (Assinatura na Célula), o Dr. Stephen Meyer mostra que o código digital embutido no DNA aponta poderosamente para o design inteligente e ajuda a desemaranhar o mistério que Darwin não conseguiu: Como a primeira forma de vida surgiu? As pesquisas do Dr. Meyer mostram que as novas descobertas científicas estão apontando para o design inteligente como a melhor explicação para a complexidade da vida e do Universo.

Um milagre chamado Homeobox – Na matéria “Genética não é destino”, a revista Veja (22/4/2009) aponta outra maravilha relacionada à reprodução: “Embora bastante investigados, os mecanismos que levam à concepção de um ser humano ainda guardam mistérios para a ciência. Durante os nove meses de gestação, o zigoto, célula única que resulta da fecundação do óvulo pelo espermatozoide, divide-se paulatinamente até se transformar nos 100 trilhões de células que formam os 220 tipos de tecido do corpo humano. O que ainda intriga os cientistas é como essa divisão se dá de modo tão organizado que o resultado é um bebê com dois olhos, dois ouvidos, dois braços, duas pernas – tudo sempre no mesmo lugar e distribuído de forma simétrica. O que impede que um zigoto produza aleatoriamente um ser com pés nos ombros e nariz no umbigo? Essa é uma das questões centrais da embriologia, ramo científico que estuda o desenvolvimento fetal.”

Uma das descobertas recentes relacionadas a esse assunto foi a do gene controlador homeobox, que age acionando outros genes e garantindo seu correto funcionamento, produzindo órgãos diferenciados a partir das células iniciais iguais. O texto diz que “esses genes mantiveram-se praticamente intactos durante a evolução” e que “são eles que ensinam aos outros genes o caminho a seguir para dar continuidade às espécies e não deixam a receita da vida perder o caminho”.

A pergunta é: Como o homeobox surgiu? E até que isso acontecesse, não deveria ter ficado um rastro de anomalias no registro fóssil? Ao invés disso, o que se percebe é a simetria, de alto a baixo da coluna geológica...

Complexidade do cérebro – No livro Como o Cérebro Funciona (Publifolha), John McCrone afirma que o cérebro humano “é o objeto mais complexo que o homem conhece. Dentro dessa massa aparentemente grosseira e disforme há o maior projeto de design já visto”. McCrone prossegue: “Um cérebro humano tem aproximadamente 100 bilhões de neurônios células nervosas cerebrais. Cada um desses neurônios pode fazer entre mil e várias centenas de milhares de sinapses. Uma sinapse é a junção entre dois neurônios. Logo, o seu cérebro é capaz de produzir cerca de 1.000 trilhões de conexões. [...] Estamos apenas começando a decifrar o cérebro, um órgão extremamente complexo. [...] Se a substância branca de um único cérebro humano fosse desenrolada, formaria um cordão longo o suficiente para dar duas voltas ao redor do globo terrestre. Então, imagine só... Tudo isso, os neurônios e as suas conexões, as células de apoio, o cabeamento, fica emaranhado dentro de seu crânio.”

Não é à toa que Davi tenha escrito: “Graças Te dou, visto que por modo assombrosamente maravilhoso me formaste; as Tuas obras são admiráveis, e a minha alma o sabe muito bem” (Sl 139:14).

Revelação escrita – A criação revela o design inteligente que aponta para o designer. Mostra as digitais do Criador. Mas não diz muito a respeito do caráter, dos sentimentos e propósitos desse Criador. Por isso, Ele resolveu tornar esses aspectos mais claros e permanentes na forma de um livro divino-humano, escrito por pessoas escolhidas, mas inspirado pelo Espírito Santo.

Moacyr Scliar escreveu: “O que dizer de um livro que está traduzido em 2.167 idiomas e dialetos, que, no último século, teve edições totalizando mais de 2 bilhões de exemplares, está ao alcance de 85% da humanidade e é lido há cerca de 3 mil anos? Que tal coisa não existe, responderia um editor incrédulo (sobretudo um editor brasileiro, acostumado a pequenas tiragens). Mas existe, sim. Esse livro é a Bíblia, que merece, com justiça, o título de maior best-seller de todos os tempos. [...] Como se explica que um livro que começou a ser escrito há quase três mil anos, ainda tenha tantos, e às vezes tão importantes, leitores? Uma pergunta tanto mais significativa quando se considera que textos envelhecem... A Bíblia é uma exceção. Trata-se de um livro eminentemente legível, mesmo em tradução, e mesmo nos dias atuais, uma fonte de sabedoria e ensinamento até para pessoas não religiosas” (Biblioteca Entre Livros, maio de 2008).

Arqueologia bíblica – Essa área de estudos demonstra a veracidade das Escrituras. Apenas um exemplo entre inúmeros: o livro do profeta Daniel, no capítulo 5, menciona que o rei de Babilônia em 539 a.C. era Belsazar. Mas a história oficial afirmava que esse homem nem sequer existira. “Para vexação de tais críticos, W. Fox Talbot publicou em 1861 a tradução de uma oração – escrita em caracteres cuneiformes – oferecida pelo rei Nabonidus, na qual ele pede aos deuses que abençoem seu filho Belsazar!” (H. Fox Talbot, “Translation of Some Assyrian Inscriptions”, Journal of the Royal Asiatic Society 18 [1861]:195 – citado por C. Mervyn Maxwell, no livro Uma Nova Era Segundo as Profecias de Daniel, p. 91).

Os críticos, então, aceitaram a existência de Belsazar, mas em sua resistência contra a Palavra de Deus, alguns deles continuaram insistindo que Belsazar jamais fora identificado como rei, fora da Bíblia. Até que, em 1924, foi traduzido e publicado o Poema de Nabonidus (Tablete nº 38.299 do Museu Britânico) por Sidney Smith. Esse documento histórico oficial atesta que Nabonidus deixou Babilônia e se dirigiu a Tema, e no trono deixou quem? Belsazar! Daniel vivia na corte de Babilônia e estava familiarizado com esse costume de o filho assumir o cargo do pai, quando este saía em excursões militares.

Revelação pessoal – Jesus Cristo e “a imagem do Deus invisível” (Cl 1:15). Ele assumiu a forma humana para transpor a barreira entre o divino e o humano e Se relacionar de perto com Suas criaturas. Por isso Jesus é Emanuel, “Deus conosco” (Mt 1:23). Deus caminhou entre nós! Sentiu fome e sede. Experimentou perseguição e abandono. E, finalmente, sem pecado, morreu como malfeitor a fim de que pudesse oferecer vida eterna aos que mereciam a morte eterna.

Jesus disse de Si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por Mim” (Jo 14:6). E João registrou: “No princípio era o Verbo [Logos], e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por meio dEle.”

Revelação plena – Jesus Cristo é vida e todos os que O recebem têm a promessa da vida eterna: “Então, ouvi grande voz vinda do trono, dizendo: Eis o tabernáculo de Deus com os homens. Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles” (Ap 21:3). Você leu com atenção? Habitando a Terra recriada e libertos das maiores limitações humanas – o pecado e a mortalidade – seremos capazes de contemplar o Criador face a face e vislumbrar dimensões até então inimagináveis! Poderemos obter respostas às nossas mais profundas inquietações – com o próprio Criador do Universo!

Mas não se esqueça: primeiro é preciso chegar lá!

Autor: Michelson Borges

Mais: faça o download da palestra "Deus Se Revela" (clique aqui).

Fonte blog : criacionista
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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Cuidado com os Achismos...

Infelizmente, tem sido cada vez mais comum encontrarmos pessoas defendendo dogmas e interpretações equivocadas da Bíblia, com base unicamente em sua própria "elucidação" do texto Sagrado (cf. 2Ped. 1:20).

No meio Adventista, especialmente devido ao constante e importantíssimo incentivo que se dá para que todos estudem a Bíblia com dedicação, e procurem conhecer a fundo os temas que envolvem nossa fé, parece que esta tendência do "achismo" é ainda mais forte que em outras denominações, menos interessadas em um estudo mais acurado das Escrituras.

Lembro-me que há alguns anos surgiu aqui no Brasil um desses "achólogos", dizendo que havia "descoberto", através dos seus cálculos escatológicos, o dia da saída do decreto dominical, bem como a data exata do fechamento da porta da graça (clique aqui). Segundo ele, nós estamos vivendo no período em que a "porta" está fechada! E agora?!

Creio que nem sempre este tipo de "descoberta" parte de uma intenção espúria (ganhar dinheiro fácil vendendo livros tendenciosos, por exemplo). Talvez alguns sejam sinceros em sua maneira de estudar a Bíblia, e acabam fazendo suas próprias interpretações, sem levarem em conta todo o contexto no qual as passagens estão inseridas.

Vejamos alguns destes "achismos" bem comuns...

1. "A igreja de hoje segue o modelo do templo de Israel. Portanto, o local onde fica o púlpito deve ser considerado como o Santíssimo, simbolicamente".

Esta afirmação não tem nenhum respaldo bíblico, nem no Espírito de Profecia. Apesar de sabermos do grande zelo que devemos ter para com o local de onde a Palavra de Deus é pregada nos cultos, não podemos ensinar algo que a própria Palavra não confirma.

Já soube de anciãos e diáconos bastante "zelosos", que chegam ao cúmulo do absurdo de perguntarem se alguma irmã que irá subir à plataforma está no seu período menstrual, pois, para estes de mente frágil, elas estariam impuras durante este período. Parece grotesco, mas acontece!

Depois que Jesus entregou-Se na Cruz, o simbolismo que havia no Santuário perdeu seu sentido (cf. Mat. 27:51). As igrejas atuais estão mais para "sinagogas" do que para o Templo, pois elas servem para ensinar a Palavra de Deus e fazer adoração a Ele, sem, contudo, envolver qualquer tipo de "sacrifício expiatório", nos moldes que eram feitos no Antigo Testamento.

Portanto, dizer que o local da mesa da Escola Sabatina é o Lugar Santo, e que o púlpito representa o Santíssimo, pode até parecer bonito e interessante para ilustrar um sermão sobre reverência... mas não tem base bíblica.

2. "Os remanescentes mencionados em Apoc. 12:17 não representam a IASD como um todo, mas apenas os 'fiéis' que existem dentro dela e que são, por isso, perseguidos".

Ouvi esta declaração, pela primeira vez, dos lábios de um irmão que estava enveredando pelo caminho da dissidência e do separatismo. Como sempre, para esconder seus reais motivos (administrativos e puramente pessoais, na esmagadora maioria das vezes), estas pessoas procuram se amparar em alguma interpretação particular e equivocada do texto bíblico. Esta é uma maneira, talvez até inconsciente, de afirmarem que estão deixando a Igreja Adventista porque não crêem mais em sua doutrina. O irmão que mencionei dizia que o dragão está "irado" contra a Igreja Adventista, mas só está "fazendo guerra" contra os fiéis que estão dentro dela (em cujo grupo ele se enquadrava, é claro!).

Os que "incorporam" este espírito de dissidência e revolta, como os antitrinitarianos dos dias atuais, procuram sempre algum "gancho" em que firmem suas "novas concepções teológico-doutrinárias". Porém, no fundo, todos sabemos que tudo não passa de mágoa, ressentimento, ódio, etc., por algum pastor ou administrador. Estas pessoas não percebem que, fazendo desta forma, começam uma "corrente herética" que vai cada vez se alargando mais. Começam questionando a interpretação conservadora do verso bíblico (como Apoc. 12:17, por exemplo), depois já iniciam um questionamento do Espírito de Profecia (pois este sempre é usado por Deus para confirmar Sua Palavra), em seguida já não acreditam mais na devolução dos dízimos e ofertas, e por ai vai...

Quando menos se dão conta, estão fora da Igreja, longe de Deus e, consequentemente, da salvação. E o pior, ainda levam suas esposas, filhos e "irmãos" com eles! Conheço congregações inteiras que já sofreram por isso (clique)! É tudo que o inimigo quer...

3. "Assim como os incircuncisos não podiam participar da Páscoa israelita no AT (cf. Êxo. 12:43-48), também os não-batizados devem ser orientados a não participarem da Santa Ceia de nossos dias".

Eu já havia ouvido algo assim antes, e certa vez recebi um e-mail de um dedicado e sincero irmão que cria da mesma forma.

Qual o problema com esta interpretação? Exatamente o que eu venho dizendo deste o início desta postagem: se a Bíblia não faz uma relação entre fatos e símbolos, nós não temos autoridade para fazê-lo por nós mesmos.

Dizer que o "incircunciso" do passado é o mesmo que o "não-batizado" do presente, é ir além do que a Palavra de Deus ensina. Aliás, ela é bem clara em dizer que na Nova Aliança não existe esta separação entre "judeu" e "gentio", ou seja, na nova dispensação, Deus vê a todos com as "lentes" da Sua infinita e abarcante graça (cf. Rom. 10:12). Aleluia!

Com relação a este tema, ainda temos o "agravante" de que o Espírito de Profecia orienta claramente que, na cerimônia, "podem entrar pessoas que não são, no íntimo, servos da verdade e da santidade, mas que desejem tomar parte no serviço [da Ceia]. Não devem ser proibidas" (Desejado de Todas as Nações, pág. 656).

4. "Ellen White diz que igrejas adventistas inteiras se perderão juntamente com seus pastores".

Esta é mais uma daquelas declarações que ouvimos com muita frequência, até do púlpito (pasmem!), mas que não possuem nenhuma base de verdade, ou seja, em nenhum livro de Ellen White encontramos esta afirmação tão "fatídica".

No site do Centro White no Brasil podemos encontrar outras declarações falsamente atribuídas a Ellen White (clique aqui).

5. "Jesus voltará através da Constelação do Órion".

Quem é Desbravador já deve ter ouvido muito esta declaração, atribuída aos escritos de Ellen White. Em quase toda aula sobre "estrelas", alguém sempre aparece com esta "pérola".

Porém, se nos determos APENAS ao que está escrito, não podemos afirmar que Jesus voltará pela 2ª vez através deste "espaço" celeste. Segundo o livro Primeiros Escritos, na pág. 41, o que podemos ter certeza é que "a cidade santa descerá" pelo espaço aberto em Órion.

De acordo com o que cremos sobre a volta de Jesus, a cidade santa (a Nova Jerusalém de Apoc.) só descerá APÓS o milênio (cf. Apoc. 21:1-5). O que passar disso, é mero "achismo" ou especulação, sem respaldo sólido na Palavra. Interessante para motivar os Desbravadores a estudarem sobre estrelas, e olharem para o Órion com admiração... mas sem um claro "Assim diz o Senhor".

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Existem dezenas de outras afirmações que, ao meu ver, estão mais amparadas no "eu acho" do que no "está escrito". O que quero levar à reflexão aqui é o fato de que só devemos fazer afirmações categóricas, em especial nos estudos bíblicos, sermões, seminários, etc., se tivermos PLENA CERTEZA do que estamos afirmando, ou seja, se temos como mostrar a origem, a fonte, o versículo, a página, na Bíblia e/ou no Espírito de Profecia.

"Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim" (Atos 17:11).

Sejamos como nossos primeiros irmãos!


Autor e Fonte: blog/ prgilsonmedeiros
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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A batalha (distorcida) do Apocalipse

O livro A Batalha do Apocalipse foi escrito pelo jornalista brasileiro Eduardo Spohr. De acordo com a revista Veja, ele está em sétimo lugar entre os mais vendidos de ficção. Eis um resumo do conteúdo da obra: “Há muitos e muitos anos, tantos quanto o número de estrelas no céu, o paraíso celeste foi palco de um terrível levante. Um grupo de anjos guerreiros, amantes da justiça e da liberdade, desafiou a tirania dos poderosos arcanjos, levantando armas contra seus opressores. Expulsos, os renegados foram forçados ao exílio e condenados a vagar pelo mundo dos homens até o Dia do Juízo Final. Mas eis que chega o momento do Apocalipse, o tempo do ajuste de contas. Único sobrevivente do expurgo, Ablon, o líder dos renegados, é convidado por Lúcifer, o Arcanjo Negro, a se juntar às suas legiões na Batalha do Armagedon, o embate final entre o céu e o inferno, a guerra que decidirá não só o destino do mundo, mas o futuro da humanidade. Das ruínas da Babilônia ao esplendor do Império Romano, das vastas planícies da China aos gelados castelos da Inglaterra medieval, A Batalha do Apocalipse não é apenas uma viagem pela história humana – é também uma jornada de conhecimento, um épico empolgante, repleto de lutas heróicas, magia, romance e suspense.”

O site da revista Época traz uma entrevista com Spohr e publicou o seguinte subtítulo: “Inspirado na Bíblia e na cultura nerd, A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, se tornou um hit na internet e ameaça a hegemonia dos vampiros nas livrarias.” Sobre a pesquisa para escrever a obra, o jornalista disse: “Não foi uma pesquisa gigantesca, porque a pesquisa não pode ser mais importante que os personagens. Mas sempre gostei do tema e sempre estive em contato com ele. Li algumas passagens do Velho Testamento e o Apocalipse da Bíblia. Também li alguns livros apócrifos e de mitologia, mas tudo isso está no livro apenas como uma inspiração. É uma aventura de ficção, acima de tudo. [...] Me inspirei um pouco em Matrix, em Highlander... As lutas entre os personagens têm influência de Cavaleiros do Zodíaco - assisti muito a esse desenho na minha infância, tenho alguns bonecos até hoje. Os anjos no meu livro são como super-heróis. E alguns autores influenciaram bastante o meu estilo: O J. R. R. Tolkien, da trilogia Senhor dos Anéis, o Stephen King e o Robert E. Howard, criador do Conan.”

Não sei o que é pior: literatura vampiresca voltada para adolescentes acríticos ou um livro que se diz inspirado na Bíblia, mas que a distorce tremendamente. Note que Spohr afirma em sua obra que os anjos caídos são “amantes da justiça e da liberdade” e desafiaram “a tirania dos poderosos arcanjos”. Na verdade, arcanjo existe apenas um: Miguel, que é o próprio Jesus (em hebraico, Mikhael significa “aquele que é como Deus”). Em outras palavras, com seu livro, Spohr está ecoando as acusações do rebelde-mor, Lúcifer, segundo o qual Deus é o tirano da história – mas talvez o autor nem saiba disso, pois diz ter lido apenas algumas passagens da Bíblia.

Para Spohr, escrever esse livro pode ter sido parte de uma brincadeira divertida e lucrativa. Para ele, a obra é mera ficção. O problema é que muitos de seus leitores jamais pegarão uma Bíblia para ler a história verdadeira e levarão na memória as inverdades de um livro que trata de assunto muito sério como se fosse conto de fadas ou enredo de RPG.

O inimigo de Deus anda bastante ativo por esses dias...Michelson Borges.

Dica 1: Quer conhecer a verdadeira história do grande conflito cósmico entre o bem e o mal? Clique aqui

Dica 2:Você pode Também ler Online Clica aqui.
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Anjos: O que a Bíblia diz sobre eles

Por Loren Seibold
Clara Barton, fundadora da Cruz Vermelha Americana, nunca professou a típica fé cristã. Ela considerava-se deísta – aquele que crê em um Deus Criador que criou um mundo em movimento, e em seguida, deixou de interferir nos assuntos humanos. Mas em abril de 1884, aconteceu algo que mudou seu pensamento.

Barton estava supervisionando um esforço humanitário a uma terrível inundação do rio Mississippi a partir do convés do barco Mattie Bell. O rio estava cheio de detritos, de grandes árvores e construções. Pior eram os perigos submersos: pedras e o rompimento de barragens que poderiam destruir um barco em instantes.

Pouco antes da partida, um de seus associados disse a Clara que um desconhecido estava insistindo para embarcar no Mattie Bell, embora tenha sido, bastante “incomum”, e vago no seu propósito. Clara não tinha tempo para passeios. “Permissão negada”, disse ela. Mas no momento que ela deu essa ordem, o barco afastou-se com o passageiro extra a bordo.

O estranho foi logo esquecido, pois estavam navegando através de uma cena trágica. A água estava repleta de corpos inchados de gado, homens, mulheres e crianças, tudo flutuando em direção ao Golfo do México. Às vezes, eles ouviam o rugido de uma fenda – um dique rompido formando uma cachoeira que poderia arrastar o barco e fazê-lo naufragar.

Perto do pôr do sol, Clara notou o estranho. Embora ele estivesse olhando para frente do rio e sem incomodar ninguém, ela lembrou o capitão que ela queria o estranho fora. O capitão não estava pronto para parar. Ele queria continuar até um ponto onde pudesse ancorar com segurança.. Clara concordou relutantemente. Mas como a noite caiu, o navio foi envolto em uma espessa neblina que os deixou navegando cegamente num rio cheio de entulho. Clara, de pé, estava apavorada e, apesar disso, começou a orar.

A voz do estranho a interrompeu. “Dentro de momentos o barco estará em uma fenda mortal”, disse ele. “O capitão não vai me escutar. Você deve ordenar-lhe que arranque para tráz imediatamente!”

Havia algo no tom do estranho que impressionou Clara. Ela deu a ordem, e o capitão a respeitou, revertendo os motores e ancorando do lado oposto do rio.

Ao amanhecer, todos viram que tinham escapado da morte por pouco: uma rachadura de 500 pés, com toda a força do Mississippi por trás dela, emergiu de um dique à 15 pés de altura. Como tinha o estranho percebido? Clara pediu à sua equipe procurá-lo para que pudessem agradecer-lhe. Após uma busca minuciosa no pequeno barco, veio a notícia, “Ele não está a bordo.”

Até o dia de sua morte, Clara Barton acreditou que um anjo tinha salvo o Mattie Bell de uma catástrofe.
Se você acredita na Bíblia, você sabe que os anjos são reais. Então, o que a Bíblia diz sobre eles?

Ajudantes de Deus

Os anjos são chamados de diversas formas na Bíblia. Além da palavra anjo em si, esses seres são chamados de “querubins” e “serafins” “(Gênesis 3:24, Ezequiel 10:01, Isaías 06:02, NVI)1, e a palavra arcanjo é muitas vezes aplicada ao próprio Cristo (1 Tessalonicenses 4:16; apesar de Cristo ser um Ser Divino e, portanto, não um anjo criado). A Bíblia ainda dá nomes pessoais, a pelo menos, dois anjos: Gabriel e Apoliom (Daniel 9:21, Lucas 1:26; Apocalipse 9:11).

A palavra anjo vem da palavra grega aggelos, que significa “mensageiro”. Muito sobre os anjos é misterioso, mas não o seu trabalho. Eles são ajudantes de Deus.

Como nós, os anjos foram criados por Deus. “Porque nele foram criadas todas as coisas que estão no céu, e que estão na terra, visíveis e invisíveis”, explica Paulo (Colossenses 1:16, KJV). Embora não saibamos quantos anjos Deus criou, a Bíblia nos dá uma dica. Apocalipse 5:11 descreve “…milhões de milhões e milhares de milhares” ao redor do trono de Deus. O número desses anjos provavelmente permanece inalterado desde que foram criados, pois esses seres celestiais não reproduzem nem morrem (veja Mateus 22:30).

Os anjos têm poderes e habilidades muito além das nossas. Livre de corpos físicos, a Bíblia os chama de “espíritos ministradores” (Hebreus 1:14), eles podem influenciar nossas vidas, mesmo quando nós não os vemos. Em muitos relatos bíblicos eles aparecem e desaparecem à vontade. Certa vez, quando Eliseu e seu servo foram cercados por forças hostis, Deus os deixou ver uma grande infantaria de anjos invisíveis lutando a seu lado contra o inimigo (2 Reis 6:15-17).

Na sua forma visível, os anjos aparecem ocasionalmente com asas (Isaías 6:2) ou brilhando com uma luz gloriosa (Mateus 28:3). Mas eles podem aparecer em qualquer forma que Deus desejar que eles apareçam, mesmo que seja falando pela boca de uma jumenta (Números 22:28)! Eles freqüentemente aparecem como seres humanos, como quando os anjos ficaram na casa do idoso Abraão prometendo-lhe um filho (Gênesis 18). É por isso que a Bíblia nos adverte que se fizermos uma bondade a um desconhecido, podemos ter hospedado “anjos sem o saber” (Hebreus 13:2).

Os anjos nunca são descritos na Bíblia como crianças bochechudas aladas, como alguns artistas o descrevem. Estes mini-querubins refletem uma concepção errônea de que os bebês que morrem se transformam em anjos, uma idéia que não é encontrada na Bíblia.

Anjos Maus
Em comum com nós, os anjos têm livre-arbítrio, uma qualidade que tem desempenhado um papel importante na nossa história espiritual humana. Foi na época da criação da humanidade que um anjo, nutrindo um orgulho perverso por sua exaltada posição, declarou: “serei semelhante ao Altíssimo” (Isaías 14:14 ). Ele convenceu um terço dos anjos para acompanhá-lo em uma rebelião contra Deus e tudo o que Deus representa (ver Apocalipse 12:3, 4). Este vilão tornou-se, a quem chamamos de Satanás, conseguiu fazer Adão e Eva desobedecerem a Deus e assim trouxe a maldição do pecado no mundo todo.

Assim, torna-se evidente que nem todos os anjos são bons. Satanás e seus anjos rebeldes são responsáveis por toda a dor e infelicidade no mundo, guerras, catástrofes, doenças e até a própria morte. Nós, seres humanos somos capturados nesta batalha cósmica, pelos anjos de Satanás que são mestres da tentação: eles conseguem influenciar a todos nós, em algum momento ou outro, a desobedecer a Deus. “porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne”, adverte Paulo, mas “contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais” (Efésios 6:12).

Os Anjos de Deus

Felizmente, os anjos de Deus são mais do que um jogo de Satanás e seus anjos. A Bíblia retrata os anjos bons ajudando os seres humanos de várias maneiras.

Proteção e livramento: Anjos retiraram Pedro da prisão e, quando Daniel foi confinado em uma cova de leões famintos, um anjo impediu que as feras o atacassem (ver Daniel 6:22). Deus promete que “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem e os livra” (Salmo 34:7).

Orientação: Na época do nascimento de Jesus, José, Maria, e os pastores receberam a orientação de anjos (Mateus 1:20, Lucas 1:26, 27; 02:08, 9). Depois que Jesus voltou ao céu, anjos aconselharam os apóstolos sobre o trabalho da recém-fundada Igreja Cristã (Atos 8:26).

Conforto e ajuda: Quando Jesus foi tentado por Satanás, “anjos vieram e o serviram” (Mateus 4:11). E anjos trouxeram alimentos a Elias quando ele se escondeu do ímpio rei Acabe (1 Reis 19:6).

Comunicação: Anjos entregam as mensagens de Deus. Moisés recebeu os Dez Mandamentos “por meio de anjos” (Atos 7:53; ver Gálatas 3:19). Eles também trazem respostas às orações, como aconteceu muitas vezes com Daniel (Daniel 9:20-22).

Anjos e Deus

Embora mais potentes do que os seres humanos, os anjos não são deuses. A Escritura diz que há um só Deus (Deuteronômio 6:04), que é todo-poderoso, onisciente e presente em todos os lugares ao mesmo tempo, qualidades que os anjos não têm. Os anjos recebem suas atribuições de Deus, que sempre está no comando (Salmo 91:11). Eles falam apenas o que Deus lhes dá para dizer e fazem apenas o que Deus pede que eles façam.

Certa vez conheci uma mulher que tinha enchido a sua casa com fotos e figuras de anjos. Ela alegou que ela podia sentir a presença de anjos e que ela às vezes conversava com seu anjo da guarda pessoal. Era quase como se ela tivesse escolhido os anjos de Deus como estando acima de Deus! Pensei um pouco em sua obsessão perigosa. Satanás tem sabido explorar a confusão humana sobre os seres espirituais, razão pela qual a Bíblia adverte que não devemos adorar ou orar a qualquer criatura ou objeto, não importa o quão impressionante seja. Devemos render nossa homenagem a Deus somente (Êxodo 20:3-5).

Apesar de Paulo reconhecer a importância dos anjos, ele teve o cuidado de salientar que quando Deus “levantou [Jesus] dentre os mortos fazendo-o assentar-se à sua direita, nas regiões celestiais”, ele o colocou “…acima de todo governo e autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa mencionar” (Efésios 1:20, 21). É por isso que Jesus, que começou sua vida na terra como um de nós, agora é adorado pelos anjos (Hebreus 1:6).

Existe uma maneira em que nós seres humanos temos uma vantagem sobre os anjos. Como os anjos nunca cairam em pecado, a alegria de aceitar a Cristo e receber o Seu perdão é uma experiência que eles nunca conhecerão. Deus chama a esses poderosos seres celestiais, que tem acesso ilimitado à justiça celestial, para “servir aqueles que hão de herdar a salvação” (Hebreus 1:14).

Anjos e Adoração

Quando não estão em missão divina, os anjos passam suas vidas em adoração. O livro do Apocalipse descreve a essência do serviço da igreja celestial, onde João o revelador ouviu a voz de milhões de anjos cantando, “Digno é o Cordeiro que foi morto, de receber o poder e riqueza e sabedoria, força e honra e glória e louvor ! “Este coro era acompanhado por “todas as criaturas existentes no céu, na terra, debaixo da terra e no mar, e tudo o que neles há” (Ap 5:11-13).

O Apocalipse também nos assegura que o domínio de Satanás sobre esta terra é limitado. João viu três anjos voando pelo céu anunciando o julgamento final de Deus e a queda e punição de Satanás (Apocalipse 14:6-12). Esta profecia se tornará realidade na batalha final da Terra, quando Satanás reunirá suas forças para um ataque contra a Cidade Santa. Eles “cercaram o acampamento dos santos e a cidade amada” (Apocalipse 20:9), escreveu João. Mas a destruição de Satanás é certa, pois “…um fogo desceu do céu e os destruiu. E o Diabo, que os havia enganado, foi jogado no lago de fogo e enxofre” (Apocalipse 20:9, 10).

E quando isso estiver feito, eu e você teremos a eternidade para nos tornar amigos com os anjos de Deus!

Artigo escrito por Loren Seibold, publicado na Revista Signs of The Times – Edição de Julho/2010.
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quinta-feira, 1 de julho de 2010

Aheresia da teologia da prosperidade

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Até mesmo minha sobrinha com quase quatro anos consegue perceber que a "guerra" entre as TVs Globo e Record é pela audiência e por objetivos puramente comerciais. Cada canal conta com colegas jornalistas - bem capacitados - para assessorar as partes envolvidas a fim de que os efeitos ruins sobre a "empresa" sejam amenizados. Os jornalistas dos dois maiores canais de TV do País são "habilidosos" também na coleta de "dados" que desmereçam o rival diante do público. Com tal atitude todos perdem. Sendo a função do jornalismo especializado democratizar o saber, como os comunicadores esperam contribuir (digladiando-se) para formar uma sociedade científica, inclusive capaz de escolher melhor os representantes nas diversas áreas do governo? 

Neste breve estudo não irei atacar pessoa alguma e muito menos os canais de TV envolvidos na "luta" antiética pela audiência (e não em educar a população). Pretendo, sim, abordar a heresia ensinada pelos teólogos da prosperidade. Primeiro, porque acredito no amor de Deus por todos a ponto de perdoá-los e os ajudar a abandonar o erro. Basta querer (nesse caso, os teólogos da prosperidade). Segundo, o erro precisa ser combatido para que milhões de pessoas não sejam enganadas e/ou parem de se deixar enganar com um ensinamento totalmente errado a respeito do dízimo.


Farinha do mesmo pote 
A teologia da prosperidade promete especialmente o sucesso financeiro (e em todos os aspectos da vida) aos que são seguidores de Jesus Cristo. Essa espécie de "religião capitalista" faz com que muitos líderes religiosos arrecadem significativas somas de dinheiro sem se preocupar em seguir a teologia bíblica do dízimo. Um desses pregadores garante aos seus telespectadores que, se eles forem "fiéis" em "dar o dinheiro a Deus", poderão inclusive escolher as bênçãos que querem receber: um carro importado, uma casa na praia, um bom saldo na conta bancária...
Não é errado ter um carro, uma casa na praia e dinheiro. O problema surge quando tudo isso é colocado "em primeiro lugar" e não "o reino de Deus e sua justiça" (Mateus 6:33). Devemos viver bem neste mundo, mas nossos pensamentos devem estar voltados para "as coisas do alto" (Colossenses 3:1, 2), as celestiais.    
     
Por causa do ensino da "prosperidade" - como é apresentado pelos pastores que seguem essa linha teológica - muitas pessoas desinformadas (ou maliciosas) e a mídia acabam julgando mal todas as igrejas protestantes sérias. Já ouvi dizerem: "Todos os religiosos são farinha do mesmo saco." Já que os teólogos da prosperidade distorcem o conceito do dízimo, pensam os menos esclarecidos que "os pastores são todos iguais".

Isso não deveria ser assim, ainda mais nesta era pós-moderna em que temos acesso com facilidade à boa (e má, infelizmente) informação. Antes que um agnóstico, ateu ou outra pessoa que não seja simpatizante da religião julgue o sistema de dízimos como "exploração do povo", deveria conhecer o posicionamento bíblico e protestante sobre o assunto - que nada tem a ver com o que é ensinado pela igreja do bispo Macedo.
         
Uma compreensão errada de Malaquias 3:10     
    
A ideia de que o salvo em Cristo deve obrigatoriamente "ter bastante dinheiro" é baseada no entendimento equivocado do verso a seguir: "Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na Minha casa; e provai-Me nisto, diz o Senhor dos Exércitos, se Eu não vos abrir as janelas do céu e não derramar sobre vós bênção sem medida." O princípio ensinado pela teologia da prosperidade é o seguinte: quando o cristão dizima ou dá ofertas, Deus fica - diríamos assim - na obrigação de abençoar o dizimista e ofertante.       
  
Vamos entender corretamente o verso citado.

O conteúdo do livro de Malaquias nos mostra que maldições vinham sobre o povo de Israel não apenas por eles roubarem a Deus nos dízimos e nas ofertas, mas também porque eles se desviaram de outros mandamentos de Deus. Isso é claro em Malaquias 3:7: "Desde os dias de vossos pais, vos desviastes dos Meus estatutos e não os guardastes; tornai-vos para Mim, e Eu Me tornarei para vós outros, diz o Senhor dos Exércitos; mas vós dizeis: em que havemos de tornar?" Confira também Malaquias 1:6 até 3:5.          
Sendo que o problema espiritual do povo era bem maior (envolvia outras áreas da vida e não só a financeira), é lógico que apenas restituir os dízimos e as ofertas não resolveria as coisas. Era preciso haver uma reforma total na vida e na conduta de todos os que diziam seguir a Deus. Deveriam abandonar o pecado e ser fiéis ao Senhor na observância de todos os demais mandamentos (inclusive do quarto, que ordena a santificação do Sábado - Êxodo 20:8-11).          

Esse contexto de Malaquias 3:10 não é ensinado pelos teólogos da prosperidade. Eles não mostram às pessoas que, além de dizimar e ofertar, é preciso haver uma reforma na vida do crente.

A conversão verdadeira, que faz com que tenhamos prazer em seguir a Cristo independentemente do que temos ou deixamos de ter, não ocorre nos cultos de prosperidade (na grande maioria das vezes, pois há pessoas sinceras em tais reuniões que buscam a Jesus de coração). A mente das pessoas é direcionada para o materialismo e não para o maior de todos os milagres: um coração transformado pela graça (João 3).          

Outro aspecto de Malaquias 3:10 que precisa ser destacado é que o texto não está ensinando que Deus é obrigado a nos abençoar ou que nosso ato de dizimar e ofertar irá forçá-Lo a tornar próspero alguém que desobedece aos demais mandamentos (lembre-se do contexto de Malaquias 3:10: o ato de não dizimar e ofertar era um dos problemas). Deus é quem sabe o momento certo de dar uma bênção aos Seus filhos; por isso, não se pode pensar que Ele nos dará tudo o que pedimos no momento que queremos.

Um pai não vai dar as chaves do carro para o filhinho de cinco anos porque sabe que a criança ainda não está preparada para desfrutar da alegria de dirigir. Ele tem consciência de que o filho precisa estar preparado para receber esse "presente". O mesmo ocorre em relação a Deus. O Senhor vê o futuro e sabe até mesmo se você e eu temos estrutura emocional e espiritual suficientes para ser abençoados. Se Deus vir que hoje o dinheiro pode nos desviar dEle, com certeza escolherá outro momento para melhorar nossa renda.

[Ao lermos em Mateus 7:7-11 as dicas de Jesus para orarmos, não devemos nos esquecer de seguir o exemplo do Salvador, no fim de cada prece: "Meu Pai, se possível, passe de Mim este cálice! Todavia, não seja como Eu quero, e sim como Tu queres." (cf. Mateus 26:39) Não temos o direito de "determinar" o que Deus fará.]          

Há quem possa argumentar: "Mas Malaquias 3:10 não está ensinando claramente que a as bênçãos são consequência da devolução dos dízimos e das ofertas?"          

Realmente, dizimar e ofertar fazem parte de um mesmo mandamento bíblico. Ser dizimista é reconhecer que Deus é dono de tudo o que temos (Salmo 24:1) e que estamos administrando corretamente os bens dEle. As ofertas são demonstrações de nossa gratidão para com Ele por tudo aquilo que fez, faz e fará por nós. Mas o detalhe é que as bênçãos prometidas em Malaquias 3:10 não são apenas materiais. São espirituais também. Quando dizimamos e ofertamos, devemos estar cientes de que Deus irá escolher o tipo de bênção que vamos receber: seja ela financeira, espiritual, amorosa, familiar, profissional...   
      
Reconsiderando o questionamento acima, é importante contextualizar o texto bíblico para saber que antes de o povo de Israel dizimar para ser abençoado, Deus já os havia abençoado ao tirá-los do Egito! Os Israelitas foram libertos da escravidão no Egito para depois demonstrar a fidelidade a Deus por meio do sistema sagrado (dízimos e ofertas) estabelecido também com o propósito de tirar o egoísmo do coração humano. Acompanhe o raciocínio bíblico, de acordo com Malaquias 3:10, e leve em conta a história do povo de Deus no passado. Em seguida, aplique o princípio em sua vida:        
 
Primeiro: Deus liberta o crente do pecado.         

Segundo: O crente dizima em gratidão e reconhecimento de que Deus é o Criador e dono de tudo (Salmo 24:1).          

Terceiro: Deus abençoa materialmente ou espiritualmente ainda mais. O Criador pode, inclusive, abençoar em todas as áreas da vida, se Ele vir que a pessoa está preparada para tal.          
Agora, perceba que a sequência "lógica" da teologia da prosperidade é bem diferente. Para eles:          
  • Primeiro eu dizimo.
  • Depois, sou abençoado.            
Devemos aceitar a primeira sequência por ela ser apoiada pela Bíblia.

A abordagem dos teólogos da prosperidade é uma afronta à doutrina bíblica de que as bênçãos de Deus - inclusive a Salvação (a bênção mais importante) - vêm pela graça e não pelas obras (Efésios 2:8, 9; Gálatas 2:21). Não há dúvidas de que a forma como o dízimo é apresentado pelo bispo Edir Macedo e pelo missionário R.R. Soares se constituem em salvação pelas obras (e há quem ainda teime em dizer que os adventistas é que são legalistas...)      
 
Alguns dos muitos textos bíblicos que desaprovam a teologia da prosperidade

O primeiro é Romanos 1:16: "Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego." A palavra "evangelho" significa "boas notícias". A Bíblia nos dá a boa notícia de que podemos ser salvos pela fé na morte e ressurreição de Cristo. De acordo com Romanos 1:16, o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que nEle crê. Portanto, o evangelho não é um produto comercial que pode vender a salvação a certos custos financeiros. Repito: a salvação é de graça (Romanos 11:5, 6). 
        
O segundo texto bíblico é Mateus 8:20: "Mas Jesus lhe respondeu: as raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do homem não tem onde reclinar a cabeça."  
         
Em certa ocasião, Jesus disse a uma pessoa desejosa de segui-Lo que Ele não tinha onde reclinar a cabeça. Eu me pergunto: o que os pregadores da prosperidade iriam dizer a Jesus hoje se Ele estivesse em nosso mundo sem um carro do ano ou um apartamento com vista para o mar? Chegariam ao cúmulo de afirmar que Cristo não tinha a bênção de Deus ou até mesmo negar ser Ele o Messias, como fizeram os fariseus que acreditavam que o Salvador nasceria "em berço de ouro" e não numa manjedoura? São perguntas para refletirmos...      
   
A teologia da prosperidade é uma continuação e uma roupagem moderna do farisaísmo. Os fariseus (líderes religiosos judeus) acreditavam que os favorecidos pelo Eterno sempre tinham posses materiais e saúde. Já os amaldiçoados por Deus eram pobres e doentes (leia João 9:1, 2 e perceba como tal conceito fazia parte da mentalidade judaica daqueles dias). Para tirar tal crença absurda da mente das pessoas da época, Jesus contou a parábola do rico e Lázaro registrada em Lucas 16:19-31 (outra lição ensinada - a principal - está no fim da história fictícia). No relato parabólico de Lucas 16, Cristo inverteu os papéis: colocou o rico num suposto lugar de tormento e o mendigo num suposto Céu. Essa parábola precisa ser lida, relida e compreendida corretamente pelos teólogos da prosperidade com urgência! Deus quer salvá-los. 
           
O terceiro texto bíblico que vai contra o ensino de que o cristão deve buscar primeiramente ser próspero em tudo é Mateus 6:33: "Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas."     
    
Jesus não diz para buscarmos em primeiro lugar o dinheiro. Ele ensina que nossa principal busca deve ser o Céu. A salvação eterna precisa estar em primeiro lugar na nossa lista de prioridades. Se fizermos isso, as demais coisas de que precisamos nos serão acrescentadas. 
        
O quarto texto bíblico que entra em choque com a "teologia capitalista" (outro apelido que tive de criar) é Mateus 6:19-21: "Não acumuleis para vós outros tesouros sobre a terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubam; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam, nem roubam; porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração."   
      
Jesus diz que não devemos acumular tesouros neste mundo, pois, eles não duram para sempre. O Salvador quer que acumulemos riquezas no Céu, ou seja: quer nos ensinar que, mesmo Deus nos abençoando e tornando-nos prósperos, nosso maior investimento deve ser o preparo para a vida eterna. Do contrário, iremos nos perder eternamente.

Sabe por que Jesus quer que você e eu priorizemos a Salvação, a fim de nos tornarmos livres da morte eterna (Romanos 6:23)? A resposta está no verso 21 de Mateus 6: "porque, onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração." Se nossas maiores esperanças estão nesta vida, seremos os mais infelizes entre os seres humanos, como diz o apóstolo, ao falar sobre a doutrina da ressurreição (ver 1 Coríntios 15:19). O vazio existencial nunca será preenchido, porque há um lugar em nosso coração que só Deus pode preencher.         

Qual o problema em ser rico?

Nenhum. Vemos em 1ª Timóteo 6:17 que havia pessoas ricas e prósperas na igreja cristã. Só que elas repartiam o que tinham com os necessitados (leia Atos 2:42-47). O problema não está em ser rico e muito menos em querer crescer na vida. A tragédia espiritual começa quando colocamos o coração nas riquezas e só as temos para nós. Isso é o que diz Paulo em 1ª Timóteo 6:17-19: 

"Exorta aos ricos do presente século que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para nosso aprazimento; que pratiquem o bem, sejam ricos de boas obras, generosos em dar e prontos a repartir; que acumulem para si mesmos tesouros, sólido fundamento para o futuro, a fim de se apoderarem da verdadeira vida."

O que quero lhe mostrar é a distorção do caráter de Deus feita por aqueles que pregam o amor a este mundo, pois o Criador é apresentado por eles como um agiota, que empresta dinheiro para ganhar com juros. Mostram um Deus que tem mais interesse em possuir os recursos financeiros que Ele deu aos filhos dEle do que salvá-los do pecado. O Senhor revelado nas Escrituras não faz barganhas do tipo: "Filho, Eu o abençoo se me der todo o seu dinheiro."         

Além de desvirtuar o caráter de Deus, os pregadores da prosperidade desviam a atenção das pessoas do grande conflito entre o bem e o mal (Apocalipse 12:7-12). Os cristãos dedicam mais tempo em adquirir bens do que em se preparar para enfrentar os ataques do inimigo de Deus, Satanás (1 Pedro 5:8; Efésios 6:10-18).    
     
Querido(a) amigo(a), onde está seu coração? Em quem deposita suas esperanças: em Deus ou no dinheiro - num papel?

Que ao mesmo tempo em que você e eu trabalhamos e estudamos para ter uma vida digna, não nos esqueçamos de que nossos olhos devem estar voltados para Jesus e atentos para o que escreveu Paulo em 1ª Timóteo 6:10:  
        
"Porque o amor do dinheiro é raiz de todos os males; e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores."

Meu desejo final é que os teólogos da prosperidade tremam - como manifestação de arrependimento e respeito a Deus - ao ler as palavras inspiradas de 2 Coríntios 2:17:

"Ao contrário de muitos, não negociamos a palavra de Deus visando lucro; antes, em Cristo falamos diante de Deus com sinceridade, como homens enviados por Deus" (Nova Versão Internacional).

 Autoria:
Leandro Quadros
 Sobre o Autor:
É formado pela Universidade do Vale do Paraíba (Univap) e atua como jornalista na Rede Novo Tempo de Comunicação de TV e Rádio, que pertence à Igreja Adventista do Sétimo Dia. Além de apresentador de programa de rádio, é repórter e redator. Pós-graduando em Jornalismo Científico, mantém o site www.namiradaverdade.com.br
Contato: leandro.quadros@novotempo.org.br
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